2011

Sonoridades variadas, numa iniciativa pautada pela criação musical erudita de inspiração multicultural, estiveram em destaque no Festival de Música de Setúbal, evento que, entre sexta-feira e domingo, espalhou ritmos em vários espaços públicos do Concelho.

“O balanço é extremamente positivo. Tivemos uma grande adesão do público e os concertos de noite completamente esgotados”, sublinhou o director-geral do Festival de Música de Setúbal, Luís Liberato, destacando outras vertentes embutidas na filosofia desta iniciativa, em concreto a criação musical.

“É gratificante ver e ouvir crianças a criar música e tivemos, inclusive, um concerto de crianças com necessidades especiais. Por outro lado, mostrámos também a perspectiva de Setúbal multicultural. Os objectivos foram cumpridos”, referiu o também director do Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Setúbal.

Na primeira noite do festival, o grupo La Batalla proporcionou um espectáculo intimista com poesia e música dos séculos XII a XIV protagonizada por trovadores e jograis nas cortes ibéricas, com as célebres cantigas de amigo e de amor.

“Constituído por sete elementos, os La Batalla, liderados por Pedro Caldeira Cabral, que construiu alguns dos instrumentos, de cordas, sopro e percussão, fizeram uma recriação daquilo que seriam as sonoridades da criação musical na Idade Média, cantada em galego-português, de acordo com os dados recolhidos pelas práticas da transmissão oral mediterrânica.

O espectáculo “A Música na Corte d’El Rei D. Dinis”, realizado nos claustros do Convento de Jesus, sob um céu estrelado, transportou o público para o universo dos primórdios de Portugal enquanto país, com a elegância musical própria dos grupos de artistas que, por essa Europa fora, animavam a vida dos nobres.

Também na sexta-feira, realizou-se um desfile e um concerto de alunos e elementos de associações de imigrantes, na Baixa da cidade, evento que celebrou a natureza e a diversidade cultural.

O espectáculo culminou com uma actuação de conjunto de todos os elementos, abrindo oficialmente a primeira edição do Festival de Música de Setúbal, organizado pela Câmara Municipal Setúbal e pela Fundação Helen Hamlyn.

Já no sábado, numa Igreja de S. Julião completamente esgotada, um concerto com o Coro Gulbenkian revisitou sonoridades musicais interpretadas entre os séculos XVII e XIX em espaços religiosos.

Com direcção do maestro Jorge Matta, a primeira parte do espectáculo foi dominada pelos vilancicos do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, com influências africanas, peças em várias línguas, exemplos das culturas subsequentes às Descobertas e da evangelização portuguesa.

Os instrumentos – a flauta, a sacabuxa, a viola de gamba e o órgão – utilizados por elementos do Coro Gulbenkian sobressaíram na segunda parte do concerto, mais ritmado, com a música sacra brasileira em destaque.

No final, o maestro desafiou o público. Contagiados pelo refrão da última interpretação, os espectadores foram convidados a afinar as cordas vocais e a interagir com o Coro, entoando, em conjunto, a música. Mesmo sem a perfeição exigida, até porque a partitura era difícil de interpretar, a mobilização foi geral e a noite terminou em festa.

O dia de sábado foi marcado pela difusão de momentos musicais a cargo dos mais novos. Na parte da manhã, o Salão Nobre dos Paços do Concelho recebeu o espectáculo “Canções do Mundo”, com temas tradicionais e contemporâneos, incluindo obras de Heitor Villa-Lobos, interpretados por diferentes grupos do Conservatório Regional de Setúbal.

Já a parte da tarde foi dedicada às “Canções de Setúbal”. O espectáculo, realizado no Auditório da Anunciada, contou com um conjunto de canções tradicionais recolhidas por Maria Adelaide Rosado Pinto e temas originais compostos pelos alunos foram apresentados pelos coros de cinco escolas de ensino básico do Concelho, pelo Coral Infantil Luísa Todi, pelo Coral Infantil de Setúbal, pela Tuna de Aranguez e pela Tuna Académica da Luisinha.

No domingo, além de actuações da banda da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense e do Grupo Coral Alentejano “Amigos do Independente”, à tarde, destaque ainda para o espectáculo “(Re)Descobertas”, ao início da noite, na Quinta das Torres, em Azeitão.

O concerto dirigido e interpretado pelo percussionista azeitonense Pedro Carneiro, acompanhado à voz pela soprano Patricia Rozario e à flauta por Natália Monteiro, percorreu as canções populares portuguesas e tradicionais goesas, bem como J.S. Bach (Alemanha), Takemitsu (Japão), Gareth Farr (Nova Zelândia). Pedro Carneiro, internacionalmente famoso pelo domínio de instrumentos como a marimba e o vibrafone, terminou com uma performance a solo, em que interpretou, nos tímbales, obras do grego Iannis Xenakis.

Sem recurso a amplificação sonora, os músicos ofereceram um espectáculo intimista numa viagem pelas influências musicais que Portugal e recebeu e transmitiu ao longo dos séculos.

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2012

Concertos de artistas conceituados e espetáculos produzidos pela população do Concelho pautaram o cartaz da segunda edição do Festival de Música de Setúbal, evento que decorreu no fim de semana e juntou o melhor da música profissional e amadora.

A coordenadora Narcisa Costa sublinha que o festival foi “um sucesso a todos os níveis”, acrescentando que os vários espetáculos realizados entre sexta-feira e domingo contaram com a presença de “muito público”, frisando, sobretudo, a notória “evolução desde a primeira edição, existindo um grande sentimento de satisfação”.

O Festival de Música de Setúbal, que concilia no programa performances de artistas de renome, com concertos protagonizados por crianças e adultos de diferentes origens sociais e culturais do Concelho, contou, inclusivamente, com alguns momentos de emoção.

Concertos de artistas conceituados e espetáculos produzidos pela população do Concelho pautaram o cartaz da segunda edição do Festival de Música de Setúbal, evento que decorreu no fim de semana e juntou o melhor da música profissional e amadora.

A coordenadora Narcisa Costa sublinha que o festival foi “um sucesso a todos os níveis”, acrescentando que os vários espetáculos realizados entre sexta-feira e domingo contaram com a presença de “muito público”, frisando, sobretudo, a notória “evolução desde a primeira edição, existindo um grande sentimento de satisfação”.

O Festival de Música de Setúbal, que concilia no programa performances de artistas de renome, com concertos protagonizados por crianças e adultos de diferentes origens sociais e culturais do Concelho, contou, inclusivamente, com alguns momentos de emoção.

Um dos melhores exemplos foi o concerto “A Visita de Hans Christian Andersen”, realizado na sexta-feira ao final da tarde, no Auditório da Anunciada, no qual atuaram alunos do Grupo de Música Contemporânea do Conservatório Regional de Setúbal em conjunto com utentes do externato de ensino especial “Rumo ao Sucesso”.

Mais de uma dezena de jovens, entre candidatos ao ensino superior de música e, em contraste, com necessidades de educação especial, apresentaram o conto do escritor dinamarquês “Dança, Dança Bonequinha”.

António Laertes, que dirigiu o grupo do Conservatório Regional, sublinhou no final da atuação que a cooperação com os utentes do Rumo ao Sucesso “não foi nada difícil”, resumindo que “foi tudo uma experiência humana absolutamente fantástica”.

A diferença de capacidades entre os jovens nunca foi entrave para a concretização do projeto. “A música é uma linguagem universal. Quando os alunos do Conservatório se enganavam nos ensaios eram imediatamente corrigidos pelos jovens do Rumo ao Sucesso”, observou António Laertes

A atuação com cerca de uma hora de duração surgiu como fruto de apenas dois meses de trabalho e “tudo de uma forma natural, sem qualquer tipo de dificuldade”, salientou Pedro Condinho, coordenador do grupo do externato Rumo ao Sucesso.

“O principal objetivo é que eles sintam prazer no que fazem e que tratem a música por tu”, sublinhou Pedro Condinho, que, juntamente com António Laertes, recebeu os parabéns da presidente da Câmara Municipal de Setúbal.

Maria das Dores Meira estava “fascinada” no final do concerto, sublinhando que o Conservatório Regional e o Rumo ao Sucesso “são instituições do Concelho que são motivo de grande orgulho”.

Para a autarca, atuações como a que se assistiu a 1 de junho no Auditório da Anunciada demonstram que “crianças com necessidades especiais são ótimas em tantas coisas”, sendo ainda uma “prova de que a música une as pessoas”, de resto um dos principais objetivos do certame.

O Festival de Música de Setúbal, organizado pela fundação britânica The Helen Hamlyn Trust e a Câmara Municipal, pontuou com concertos vários locais do Concelho.

No sábado de manhã, o festival foi ao Mercado do Livramento, emblemático espaço de comércio tradicional de Setúbal, onde Firmino Pascoal e Elizabet Oliveira soltaram ritmos da cultura portuguesa e da lusofonia africana.

O espetáculo, uma reunião de sonoridades tradicionais de Angola de Firmino Pascoal, do grupo Lindu Mona, e do hip-hop português de Elizabet Oliveira, conhecida por Dama Bete, envolveu e despertou a curiosidade de comerciantes e clientes que paravam para apreciar momentos musicais de fusão cultural.

Em interação com o público, existindo também espaço para a declamação de poesia, Firmino Pascoal destacou a importância do festival setubalense “para a promoção da cultura musical de vários países de expressão portuguesa”.

Já à noite, ambos os artistas voltaram a atuar, desta feita na Casa da Baía e acompanhados pelas respetivas bandas, dinamizando o espetáculo “O Estrangeiro na Cidade”.

A chuva, todavia, também quis estar presente no festival, para mal do espetáculo “Canções de Setúbal”, programado para sábado à tarde no Auditório José Afonso, com grupos corais de diversas escolas e da APPACDM, a que se juntam vozes do Coral Infantil de Setúbal.

O concerto, no formato original, teve de ser adiado, realizando-se no dia 17, às 16h00, no Auditório da Anunciada, mas, ainda assim, o público mais resistente foi brindado com uma amostra do que aí vem. Pela primeira vez, foi possível ouvir o hino do Festival de Música de Setúbal, cantado, duas vezes, por cerca de 70 crianças, além de três temas pelo Coral Infantil de Setúbal.

No álbum de recordações da segunda edição do Festival de Música de Setúbal ficaram também registadas as atuações do grupo de música antiga Concerto Atlântico, dirigido por Pedro Caldeira Cabral, na sexta-feira, e do coro britânico Contrapunctus, em estreia em Portugal e com direção de Owen Rees, conceituado especialista em música portuguesa.

Pedro Carneiro, percussionista setubalense internacionalmente famoso na área da música erudita, voltou a atuar na terra natal, desta feita num concerto apresentado no domingo, nos Claustros do Convento de Jesus, a encerrar o festival, e no qual contou com a participação de solistas da Orquestra de Câmara Portuguesa.

O programa apresentou, ainda, a banda da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense e solistas da Orquestra de Câmara Portuguesa, num concerto realizado no domingo de manhã, na histórica Quinta da Bacalhôa, em Azeitão, assim como as atuações do Coral Infantil de Setúbal, da Academia de Música e Belas-Artes Luísa Todi e do Conservatório Regional de Setúbal, no mesmo dia, à tarde, no Auditório José Afonso.

O Festival de Música de Setúbal abriu em grande logo na sexta-feira, com um desfile inaugural protagonizado por cerca de 1300 crianças de escolas de todos os agrupamentos do Concelho, cinco vezes mais do que na mesma iniciativa realizada na edição de 2011.

“Temos uma comunidade educativa muito unida”, frisou a presidente da Câmara Municipal, sublinhando o orgulho que tem na concretização no Concelho de um evento como o Festival de Música. “Estamos todos de parabéns. Isto é Setúbal”, concluiu.

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2013

A partilha de sons e de culturas foi nota dominante na terceira edição do Festival de Música de Setúbal, evento que juntou entre os dias 16 e 19, em concertos e momentos musicais, artistas profissionais conceituados a músicos amadores do concelho.

O espetáculo “Tocando Ritmos, Trocando Canções”, protagonizado pela Grand Union Orchestra, no dia 17, foi um dos pontos altos do evento organizado numa parceria Câmara Municipal de Setúbal, The Helen Hamlyn Trust e A7M – Associação Festival de Música de Setúbal.

No Fórum Municipal Luísa Todi, completamente esgotado, o conjunto britânico dirigido por Tony Haynes encantou o público com um espetáculo que fundiu ritmos tradicionais de diferentes pontos do mundo, com a presença em palco de músicos oriundos de vários países.

Da música antiga chinesa à canção popular bengali, passando pelos ritmos latino-americanos, bhangra e ragas indianos, baladas portuguesas e percussão africana, alguns dos temas em concerto foram interpretados em conjunto com alunos da Academia de Música e Belas-Artes Luísa Todi e do Conservatório Regional de Setúbal e com jovens do grupo BelaBatuke, do Agrupamento Vertical de Escolas Ordem de Sant’Iago.

Antes, na entrada do Fórum Municipal Luísa Todi, foi ainda possível assistir ao pré-concerto “Ritmos Comunicantes”, protagonizado pelos BelaBatuke e por alunos da Academia Luísa Todi, no qual os tambores foram instrumentos de comunicação e de relação cultural.

Ainda no dia 17, pela manhã, as ruas de Setúbal foram dominadas por um exército de pequenos músicos. Um desfile de percussão, dirigido por Fernando Molina, juntou perto de mil crianças de escolas do concelho e de associações de imigrantes da cidade, que tocaram instrumentos feitos a partir de materiais reciclados, mostrando que a música é uma arte universal.

No dia 18, a música começou logo pela manhã, com o espetáculo “O Festival vai à Praça de Bocage”, com temas clássicos interpretados pela orquestra de violinos do Conservatório Regional de Setúbal, os Paganinus, que atuaram, em virtude das condições meteorológicas adversas, nas arcadas nos Paços do Concelho.

No âmbito daquela apresentação, ensembles do conservatório setubalense percorreram as ruas da Baixa comercial, proporcionando momentos musicais aos transeuntes que se encontravam no centro histórico.

A festa musical continuou de tarde, no Auditório de Nossa Senhora da Anunciada, com o concerto “Comunique!”, com a primeira parte do espetáculo a cargo do Coral Infantil de Setúbal, grupo que atuou, igualmente, no segundo ato juntamente com os coros de setes escolas do 1.º ciclo do ensino básico do concelho e com a Orquestra do Conservatório Regional de Setúbal.

À noite, já no Fórum Municipal Luísa Todi, o compositor, maestro e percussionista de música erudita Pedro Carneiro dirigiu um espetáculo da Orquestra de Câmara Portuguesa, conjunto musical que cofundou em 2007.

No concerto, com a duração de cerca de duas horas, intitulado “Bomtempo & Beethoven”, a orquestra interpretou a “Sinfonia n.º 2” do autor português João Domingos Bomtempo e a “Sinfonia n.º 3 – Eroica” do compositor alemão Ludwig van Beethoven.

No dia 19, o Festival de Música de Setúbal foi até à Quinta da Bacalhôa, em Azeitão, para um concerto que juntou as batuqueiras Rinka Finka e o grupo de dança Nôs Talentu, ambos da Associação Cabo-Verdiana de Setúbal, a violoncelistas da Orquestra de Câmara Portuguesa, dirigidos por Ângela Carneiro.

À tarde foi a vez de o estabelecimento de ensino especial Externato Rumo ao Sucesso e de o Conservatório Regional de Setúbal apresentarem no Fórum Municipal Luísa Todi o espetáculo “A Grande Serpente Marinha”, inspirado no conto homónimo do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.

À noite, na Igreja de S. Sebastião, “Rosa Immaculata – Cenas da Vida da Virgem”, protagonizado pelo coro Voces Caelestes, com direção de Sérgio Fontão, encerrou o cartaz do evento musical, num concerto que abordou orações, hinos e poesia popular de inspiração mariana em obras de vários compositores europeus e americanos.

A terceira edição do Festival de Música de Setúbal, subordinada ao tema “Comunicação”, abriu no dia 16, à noite, com “Contos de Fadas, Casas Assombradas, Princesas Encantadas – E um Elefante!”, num espetáculo conduzido pelo pianista português Artur Pizarro, no Fórum Municipal Luísa Todi.

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2014

Doze espetáculos musicais inspirados no mar, com concertos ao ar livre e em espaços culturais, realizaram-se, durante quatro dias, na quarta edição do Festival de Música de Setúbal.

Entre os dias 29 de maio e 1 de junho, o certame promoveu a cultura e o património musical do concelho, conjugando artistas consagrados com grupos da comunidade local, numa organização da A7M – Associação Festival de Música de Setúbal, resultante de uma parceria da Câmara Municipal e da The Helen Hamyn Trust, com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

O festival chegou ao fim na noite de dia 1 com “Mar de Emoções”, no Fórum Municipal Luísa Todi, num espetáculo da Orquestra de Câmara Portuguesa com a participação da soprano Susana Gaspar. No concerto, dirigido pelo maestro Pedro Carneiro, foram interpretadas obras de Mendelssohn, Mozart, Beethoven, Berlioz e Haydn.

O certame abriu com “Trova de Três Oceanos”, no dia 29, num concerto dirigido por Tony Haynes, que apresentou composições originais deste compositor e arranjos de músicas das mais distintas proveniências.

Ao palco do Fórum subiu meia centena de crianças e jovens da Academia de Música e Belas-Artes Luísa Todi, do Conservatório Regional de Setúbal e do grupo de percussão BelaBatuke, a que se juntaram dez músicos de todo o mundo da Grand Union Orchestra.

No dia 30, o habitual desfile de percussão desceu a Avenida Luísa Todi até ao Largo José Afonso, com a participação de várias turmas das escolas EB Brejoeira, EB de Azeitão, EB Babosa du Bocage, EB Luísa Todi, EB e Secundária Lima de Freitas, EB do Viso, EB de Aranguez e EB e Secundária Ordem de Sant’Iago, além da Edinstvo – Associação dos Imigrantes dos Países do Leste, do Projeto “Agora Sim E5G” e da APPACDM de Setúbal.

Depois de percorrem a avenida, onde há vários anos o Sado ali chegava, as centenas de crianças e jovens atuaram em conjunto no Auditório José Afonso no apontamento musical “A Foz dos Ritmos”, com direção de Fernando Molina.

À noite, a Igreja de Santa Maria acolheu o “Encanto Marítimo – Requiem pelos Navegadores Portugueses”, dirigido por Armando Possante, em que atuaram o Grupo Vocal Olisipo, o Coro do Conservatório Regional de Setúbal e o ator Luís Madureira. Através da música, foi evocada a perda de vidas nos mares dos Descobrimentos.

A travessia do rio Sado, por ferry, nos dois sentidos, surpreendeu passageiros no dia 31 de manhã com a atuação de diversos grupos do Conservatório Regional de Setúbal. Em terra, a iniciativa, intitulada “Música nas Ruas e no Rio”, esteve no centro da cidade com diversos apontamentos artísticos.

Com coordenação de Carlos Barreto Xavier e direção de Nuno Batalha, ouviram-se “Canções do Mar”, no dia 31 à tarde, no Fórum Municipal Luísa Todi, com os coros de várias escolas do 1.º ciclo, da APPACDM de Setúbal e Luís Barrigas Quarteto.

O evento mostrou canções criadas no âmbito de projeto de integração dos alunos numa metodologia de ensino em torno da composição musical em sala de aula.

Meia hora depois de terminar o concerto, às 17h00, começou “Música no Coreto”, com a Banda de Música da Capricho Setubalense e o BelaBatuke, numa confluência de duas distintas tradições musicais da cidade.

O mar e o trabalho uniram-se num concerto-instalação de homenagem aos pescadores portugueses, intitulado “Quando o Homem Lavrava o Mar”, à noite, no Museu do Trabalho Michel Giacometti.

Com conceção e interpretação de Fernando Mota, o vídeo e as imagens pertenciam a Tiago Pereira, José Madeira, Michel Giacometti e James Knight-Smith. O espetáculo contou com o Conservatório Regional de Setúbal, nos violinos, e o Coral Infantil de Setúbal, no canto e objetos sonoros.

O último dia do Festival de Música de Setúbal, 1 de junho, começou com “Olhares sobre o Mar e Reflexos”, no Convento da Arrábida. O evento, uma visita guiada ao local histórico acompanhado de música com vista para o mar, contou com um quinteto de sopros da Orquestra de Câmara Portuguesa e alunos de canto e instrumento do Instituto Gregoriano de Lisboa.

Antes do concerto de encerramento “Mar de Emoções”, a tarde foi dedicada à “Diversidade e Inclusão”, com conversas com especialistas e responsáveis de projetos de inclusão pela música desenvolvidos no âmbito do festival e uma atuação da Academia de Música e Belas-Artes Luísa Todi e de alunos da EB 2,3 Cruz de Pau com deficiências auditivas, no Fórum Municipal.

Seguiu-se a “Viagem”, no Cais 3 do Porto de Setúbal, espetáculo-performance com vista para o Sado que juntou alunos do Externato Rumo ao Sucesso e do Grupo de Música Contemporânea do Conservatório Regional de Setúbal, com direção e composição de Pedro Condinho e António Laertes.

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2015

Agora no seu quinto ano, o Festival de Música de Setúbal, com um percurso consistente e bem visível, é reconhecido tanto a nível local como internacional como um evento cultural pioneiro e inovador.

Mais de 1000 jovens músicos juntam-se aos artistas profissionais convidados, nacionais e internacionais, tais como o violinista anglo-sueco Hugo Ticciati, o duo do pianista João Paulo Esteves da Silva e da cantora/atriz Ana Brandão, o trombonista John Kenny e o seu ensemble de metais Pandora’s Box, o maestro Pedro Teixeira a dirigir o grupo vocal Officium Ensemble e, finalmente, o grande guitarrista português Pedro Jóia com os seus convidados.

Este ano, estarão envolvidos mais grupos de jovens músicos da comunidade nos concertos profissionais do que em qualquer das edições anteriores. Será também apresentado, com grande orgulho nosso, o Ensemble Juvenil de Setúbal, constituído por alguns dos mais talentosos jovens músicos da região, que vão interpretar novas peças, criadas especialmente para eles, escritas por jovens compositores de Lisboa e de Londres.

O Clima, na sua globalidade, é o tema que percorre esta edição, e que nos afeta a todos, mas que é particularmente importante para uma cidade como Setúbal, que se situa perto do mar e é visitada tanto por pessoas como por inúmeras aves migratórias. Uma cidade rodeada pela serra e pela natureza nas suas mais variadas formas, banhada pelo sol e ocasionalmente pela chuva de verão! De uma coisa podemos estar certos – o clima está a mudar. O programa deste festival oferece-nos respostas criativas apresentadas pelos nossos jovens, numa reflexão sobre o espaço natural que habitam, as diferentes estações do ano, os elementos meteorológicos e o clima, que influenciam, todos eles, a forma como pensamos e vivemos diariamente as nossas vidas.

O Festival de Música de Setúbal encoraja a criatividade e celebra a conquista e aquisição de saberes e experiências, especialmente entre os jovens. Talvez, e acima de tudo, o Festival seja sobre a inspiração que os artistas nos proporcionam e o poder da música nas suas variadas formas. O trabalho que começámos ainda antes do primeiro Festival em 2011 foi cuidadosamente plantado e cultivado dentro da comunidade local: e hoje continua a crescer. Mas também encorajamos sempre os jovens a serem curiosos e a tentar alcançar o céu, pois é lá que podem ver as estrelas e deixarem-se iluminar por elas. Por isso, convidamos as estrelas – entre elas grandes músicos portugueses e estrangeiros – a descer e a visitar-nos, pois é destes encontros que a verdadeira inspiração brota. Esperamos que as luzes que se acendem nos corações e nas mentes dos nossos jovens músicos também possam ser levadas para casa por aqueles que nos visitam, guardando-as nas suas memórias.

Convidamo-lo a desfrutar do tempo – o tempo que passa e o tempo que lhe dá as boas-vindas – no ambiente e clima musical únicos de Setúbal.

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2016

O Festival de Música de Setúbal é um fenómeno cultural único, agora na sua sexta edição, que continua a convidar artistas de renome internacional, portugueses e estrangeiros, ao mesmo tempo que envolve a comunidade local – incluindo quase 1500 jovens – na criação e performance musicais.

Os nossos músicos visitantes incluem a Sinfonieta de Lisboa, com o maestro Vasco Pearce de Azevedo, a violoncelista Irene Lima e o saxofonista Pedro Corte-Real (vencedor do Prémio Jovens Músicos 2015), o pianista brasileiro Marcelo Bratke (em colaboração com a artista visual Mariannita Luzzati), e o violoncelista Filipe Quaresma que junta forças com jovens Coros de Lisboa e Setúbal, apresentandose todos, pela primeira vez, neste Festival.

Clarence Adoo é um convidado especial, um trompetista profissional que ficou paralisado num acidente há 20 anos e que agora volta a tocar com instrumentos especialmente inventados para ele, inspirando novas gerações que até aqui apenas podiam ousar sonhar em tornar-se músicos.

O tema deste ano do Festival é o Sal, que protagonizou um papel importante na história, cultura e economia de Setúbal durante milhares de anos. Primeiro os Fenícios, depois os Romanos e mais tarde os Holandeses, vieram explorar este importante recurso local, que não só ligou a cidade aos mais influentes portos comerciais do norte da Europa, como também se tornou um ingrediente chave nas receitas internacionais que permitiram cimentar a relação entre Portugal e o Brasil. O sal era tão valioso que permitiu os Romanos pagavam o salário dos seus soldados – em sal, não em dinheiro! A importância do sal, para Setúbal e para o mundo como um todo, apresenta diversos aspectos e reflete-se das mais variadas formas criativas, lúdicas e instigadoras do pensamento, ao longo de toda a programação.
Os visitantes do Festival podem desfrutar dos concertos em alguns dos mais belos e históricos edifícios de Setúbal, incluindo a Igreja do Convento de Jesus e os seus recentemente restaurados Claustros, que estão entre os mais importantes tesouros arquitetónicos de Portugal. Esperamos que encontre a quantidade certa de sal neste banquete musical que preparamos especialmente para esta edição, e que se deleite com os inúmeros sabores da grande diversidade cultural de Setúbal.
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2017

O Festival de Música de Setúbal, aproximando-se da sua 7ª edição, continua a ser um fenómeno cultural incomparável, juntando convidados de renome internacional, tanto de Portugal como além-mar, em conjunto com a comunidade local – aproximadamente 1500 jovens estão envolvidos este ano, enquanto compositores e músicos – e enriquecendo a vida cultural desta encantadora e calorosa cidade.

Desde o início, os programas do nosso festival estiveram unidos e foram melhorados através de temas que são familiares às mentes e corações da população setubalense: o tema deste ano – “Migração” – focando-se na interrelação das culturas da Península Ibérica, é muito significativo, não só enquanto conceito, mas também a nível global e local. O trabalho criativo dos nossos jovens e as performances dos artistas de renome convidados em 2017, irão reflectir algumas das influências culturais essenciais enquanto consequência da migração humana, não só nos tempos modernos, mas também ao longo da nossa história, e ajudarão a definir e refinar a natureza enquanto indivíduos singulares e sociedade colectiva.

A música tem o poder, quase milagroso, de mudar as nossas vidas e de nos unir – e foi, ela própria, sempre transformada e enriquecida através da migração – aqui em Setúbal, em toda a Península Ibérica e em todo o mundo.
Este ano decidimos celebrar a diversidade e a abrangência da guitarra, que tem existido sob as mais diferentes formas e em todas as culturas: talvez mais nenhum tipo de instrumento tenha sido tão característico dos músicos viajantes por todo o mundo, nem da própria tradição musical da Península Ibérica. Dejan Ivanović, oriundo de Tuzla (Bósnia e Herzegovina) e considerado actualmente um dos mais conceituados guitarristas clássicos de Portugal, irá estrear-se no Festival enquanto artista convidado em três concertos contrastantes. O primeiro concerto será na belíssima Igreja de S. Simão em Azeitão, com a Camerata do Festival de Setúbal – que reúne alguns dos melhores músicos profissionais de cordas emergentes – e com o excelente jovem maestro internacional Kerem Hasan, que também visita Setúbal pela primeira vez. A nossa “Extravaganza de Guitarras” é algo completamente diferente, encontrando Dejan rodeado de cerca de 60 guitarristas de Setúbal e outros locais de Portugal! Por fim, fechando o Festival no glorioso Convento de Jesus, juntam-se a ele membros do Coro da Gulbenkian e jovens cantores de Setúbal, dirigidos por Paulo Lourenço. Estamos encantados por voltar a receber no Festival deste ano alguns dos melhores Coros e Orquestras – a Grand Union Orchestra (Londres), a Sinfonietta de Lisboa e o Coro Gulbenkian – os quais contribuíram com excelentes participações em edições anteriores. Vários jovens músicos conceituados apresentam-se no Festival pela primeira vez, incluindo Lia Yeranosyan, violinista vencedora do Prémio Jovens Músicos 2016, competição portuguesa de destaque, e Teresinha Landeiro, estrela do fado em ascensão, nascida em Azeitão. Temos o particular e imenso privilégio em receber PÍlar del Rio, viúva do escritor Prémio Nobel José Saramago, para discutir a obra A Jangada de Pedra, que ilumina, e reflecte de forma perfeita, os nossos temas vitais da migração e a Península Ibérica. Devemos uma profunda gratidão à iniciativa e ao apoio do Helen Hamlyn Trust, à Câmara de Setúbal, à Donatella Flick LSO Conduction Competition e aos muitos parceiro locais, instituições e pessoas, cujos esforços tornam o Festival possível. Um agradecimento especial ao público, por partilhar connosco a música, e por nos dar propósito.
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2018

Músicos conceituados juntaram-se a formações profissionais e amadoras para, entre os dias 24 e 27, proporcionarem o Festival de Música de Setúbal 2018, com eventos em diversos locais do concelho, para os mais distintos públicos.

“Home” foi o tema da oitava edição do certame, organizado pela A7M – Associação Festival de Música de Setúbal, com financiamento de Câmara Municipal de Setúbal, The Helen Hamlyn Trust, Fundação Calouste Gulbenkian e Caetano Sport, apoio da Antena 1 e 2 e parceria hotelaria de Solaris Hotel e Mar e Sol.

Nesta “casa” estiveram artistas e formações com reconhecimento nacional e internacional, como Maria João, Celina da Piedade, João Gil, Merit Ariane e o Coro Ricercare, envolvidos em espetáculos com a comunidade local, incluindo grupos amadores e pessoas com necessidades especiais, no âmbito do espírito inclusivo do certame.

Maria João, uma das vozes mais conceituadas do jazz, atuou no dia 27, no Fórum Municipal Luísa Todi, com o Ensemble Juvenil de Setúbal, grupo que iniciou a carreira em 2014 e já deixou uma marca no país e no estrangeiro. O espetáculo “Tudo Começa em Casa”, de fecho do festival, foi dirigido por Rui Borges Maia.

Como salientou a presidente do município, Maria das Dores Meira, no jantar de encerramento, na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, este é um certame em que “muitos jovens têm a possibilidade de, pela música, encontrar novas formas de expressão, momentos de partilha e, simultaneamente, adquirir conhecimentos artísticos que, de outra forma, não estariam ao seu alcance”.
Essa demonstração da participação juvenil ocorreu no dia 25 quando cerca de quinhentas crianças e jovens desfilaram “Ao Ritmo da Vida”, na Avenida Luísa Todi, num evento centrado nas percussões que já é uma tradição no Festival de Música de Setúbal.

A parada musical começou com um megaconcerto sobre o tema “Home”, no Auditório José Afonso, em que alunos de vários níveis de ensino e utentes de instituições como a APPACDM de Setúbal, sob a batuta de Fernando Molina, exploraram ritmos a partir de instrumentos como voz e pauzinhos, baldes de tinta e garrafões de água vazios, latas de conserva e lápis.

O Fórum Luísa Todi vibrou com outras 250 crianças, de turmas de escolas do 1.º ciclo do ensino básico, que proporcionaram o espetáculo “O Nosso Lar”, no dia 27, do Projeto Escritas de Canções.

Com arranjos de Carlos Garcia, que apresentou igualmente a sua banda, o concerto mostrou canções inspiradas nos sentimentos próprios de partida e chegada proporcionados pelo tema “Home”.

Além deste evento e do concerto de encerramento da cantora de jazz Maria João, o Fórum Luísa Todi recebeu, na abertura, dia 24, o espetáculo “Em Casa”, protagonizado pela acordeonista Celina da Piedade, em que o músico e compositor João Gil participou como artista convidado.

Juntamente com este dois músicos consagrados a nível internacional estiveram o Grupo Coral Alentejano Os Amigos do Independente, o Coral Infantil de Setúbal e o grupo de percussão Sant’Iago Olodum.

A principal sala de espetáculos da cidade acolheu ainda, no dia 25, “Pátrias”, concerto de música erudita com um reportório de obras em que os autores se inspiraram na essência das suas pátrias.

A Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Camerata do Festival de Música de Setúbal e as orquestras dos conservatórios regionais de Setúbal e de Palmela protagonizaram este concerto, com direção de Nuno Coelho, vencedor do Prémio Jovens Músicos 2016.

A cantora e compositora alemã-egípcia Merit Ariane foi outros dos nomes de relevo na oitava edição do certame, participando em dois eventos.

No dia 25, na Casa d’Avenida, apresentou “Merit Ariane’s Birdsong”, com a sua banda composta por músicos de diversas nacionalidades, inspirado no canto dos pássaros, com voz, flautas coreana e árabe, piano e percussão.

Na manhã seguinte, esteve no Moinho de Maré da Mourisca para três sessões de canções associadas às migrações de pássaros, evento intitulado “Ninho”, no qual participaram ainda o IncEnsemble, a APPACDM e o Conservatório Regional de Setúbal.

O Palácio da Bacalhôa, outro espaço com interesse patrimonial e envolvente paisagística, localizado em Vila Fresca, também recebeu uma iniciativa. “Música para um Palácio” proporcionou, no dia 26, ensembles do Conservatório Regional de Palmela.

As igrejas foram, como vem sendo hábito, palco de eventos, com o objetivo de fazer chegar o certame a diversos e distintos locais do concelho, para abranger todos os públicos.

A Igreja de São Simão, em Azeitão, proporcionou, no dia 26, “Em Casa e Fora Dela”, com a Camerata do Festival de Música de Setúbal a interpretar obras com dedicatória criadas por Mozart e Luís Tinoco, num concerto dirigido por Nuno Coelho, com Ana Sofia Vilares na flauta.

Já a Igreja de São Julião, no centro de Setúbal, abriu as portas para “Vem Visitar-nos em Paz”, no dia 27, em que o Coro Ricercare, com coro e percussão do Conservatório Regional de Setúbal, apresentou, sob direção de Pedro Teixeira, um programa de obras sacras de alguns dos mais relevantes compositores da atualidade.

Também o Convento de São Paulo, património alvo de requalificação recente, fez parte do roteiro desta edição do festival, com “Setúbal (Con)Vida”, dia 25, evento artístico a cargo da Academia de Música e Belas-Artes Luísa Todi, do grupo de teatro Nunca É Tarde Para Sonhar, da cantora Patrícia Rosa e da acordeonista Nicole Viviana.

A música saiu à rua em diversas iniciativas, uma delas “De Casa Para Casa”, realizada no dia 26, em largos da Baixa da cidade, com atuações de grupos representativos das comunidades imigrantes existentes em Setúbal.

Os efeitos benéficos da música na saúde também estiveram em evidências em dois encontros, com especialistas portugueses e estrangeiros, no Instituto Politécnico de Setúbal e na Casa d’Avenida.

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