Na sequência dos quatro anos de trabalho desenvolvido pelo Festival de Música de Setúbal com a comunidade local, e beneficiando do apoio do programa PARTIS – Práticas Artísticas para Inclusão Social, da Fundação Calouste Gulbenkian, um novo passo foi dado na criação de oportunidades e consolidação de vivências musicais dos jovens músicos de Setúbal. A criação de um ensemble ou de uma pequena orquestra juvenil, no qual alguns dos jovens músicos mais talentosos da região podem prosseguir a viagem musical depois de terminarem a escola secundária e antes de iniciarem a vida adulta profissional, começou a tomar forma no final de 2014. O conceito que está na sua génese é verdadeiramente inclusivo: esta pequena “orquestra” reflecte a realidade da atividade musical da comunidade local e, por isso, inclui na sua formação os percussionistas de tradição africana/ latino-americana (20% da população, originária de ex-colónias portuguesas), os instrumentistas clássicos, os músicos de jazz e os jovens com necessidades especiais, que estão agora a desenvolver as suas capacidades musicais com recurso a tecnologia de apoio. Importante, também, é o facto deste Ensemble proporcionar trabalho regular a jovens compositores, tal como as orquestras sempre fizeram no passado, uma vez que é necessário criar um repertório com obras especialmente compostas ou arranjadas para este formato único de democracia musical.

O Ensemble Juvenil de Setúbal é um projecto da A7M – Associação Festival de Música de Setúbal, com direção artística de Ian Ritchie e conduzido por três líderes (ou orientadores) especialistas em diferentes géneros musicais: Rui Borges Maia, Pedro Condinho e Fernando Molina.

Rui Borges Maia é músico clássico membro da Orquestra de Câmara Portuguesa e do Plural Ensemble (Espanha). Faz também parte do Quinteto À-vent-garde e do Tagus Ensemble. Em novembro de 2014 estreou-se na colaboração com o Ensemble MidtVest (Dinamarca); Pedro Condinho é um professor de música que tem inspirado, ao longo de vários anos, crianças e jovens com necessidades educativas especiais e é também músico profissional da área do jazz; Fernando Molina trabalha internacionalmente como percussionista na área da world music e desenvolve atividade regular em Portugal, onde leciona e dirige diversos workshops e projetos na área das percussões.


Este é um projeto único e inovador, mas a filosofia e a metodologia podem ser igualmente adotadas e adaptadas por comunidades locais em qualquer parte do mundo. Estamos orgulhosos de que Setúbal seja a casa da primeira ‘orquestra’ que realmente se liberta de barreiras culturais e sociais – as quais muitas vezes se interpõem entre pessoas de diferentes origens e entre músicas de diferentes géneros – na busca da qualidade artística, bem como da igualdade

IAN RITCHIE
Diretor Artístico