festival música de Setúbal

O Festival 2014


O programa para o quarto Festival de Música de Setúbal, evento de caráter anual, reflete, uma vez mais, a enorme diversidade e criatividade das nossas comunidades locais, assim como as influências internacionais na vida cultural deste lugar excecional. Nesta edição, o tema do festival é o “Mar”, recurso que moldou e sustentou a existência de Setúbal ao longo da história e que continua a definir a personalidade desta cidade.

Desde o início, as crianças e os jovens são parte da essência do Festival de Música de Setúbal e desempenham um papel fundamental no desenho da programação: criando músicas, formando grupos, colaborando uns com os outros e trabalhando ao lado de artistas visitantes de classe mundial. O evento tem a duração de quatro dias, mas o trabalho musical com a comunidade desenvolve-se durante todo o ano. Setúbal é inundada pela promessa musical e pelo talento criativo. Os jovens artistas criam ondas por toda a cidade enquanto desfilam as suas percussões, cantam as suas canções e tocam os seus instrumentos, em espaços fechados ou ao ar livre.

Tal como a fantástica variedade de vida que existe nos mares que nos rodeiam, a música revela-se de muitas formas e a programação do Festival é reflexo disso, com algo para todos os gostos, para todos os públicos. Depois do sucesso da participação na edição anterior, a londrina Grand Union Orchestra regressa para abrir o festival com um novo espetáculo que liga a cultura portuguesa a diferentes culturas mundiais, através da linguagem comum que é a música.
Recebemos também as belíssimas vozes do Grupo Vocal Olisipo, de Lisboa, num concerto encantador, inspirado em textos antigos e na música de Ave Maris Stella (Salve, Estrela do Mar). O Museu do Trabalho Michel Giacometti, outrora uma fábrica de conserva de peixe, acolhe uma instalação de música e vídeo, especialmente encomendada ao artista Fernando Mota. O concerto de encerramento desta edição apresenta a Orquestra de Câmara Portuguesa, acompanhada de uma das jovens estrelas em ascensão da ópera, a soprano Susana Gaspar, num programa de reportório clássico e romântico, conduzido por Pedro Carneiro, que reflete os movimentos e as emoções do mar.

 

O novo Ensemble Juvenil de Setúbal


A visão do Festival para a vida musical de Setúbal assenta na construção de uma pirâmide. Na base, estão as mais de 1000 crianças e jovens de toda a comunidade com quem temos vindo a trabalhar para o desenvolvimento das suas capacidades criativas e performativas. No nível seguinte, vemos novos grupos musicais que surgem entre as crianças em idade escolar, novas colaborações entre diferentes instituições da cidade e novas parcerias entre as populações locais e artistas internacionais, todos eles compartilhando o trabalho com o público durante o evento anual. O terceiro nível da pirâmide não está ainda construído: não existe um ensemble ou uma orquestra juvenil onde os jovens músicos mais talentosos da região possam prosseguir a viagem musical depois de terminarem a escola secundária e antes de iniciarem a vida adulta profissional.

Esta realidade está prestes a mudar. Com o apoio do recém-criado programa PARTIS – Práticas Artísticas para Inclusão Social, da Fundação Calouste Gulbenkian, um novo ensemble formado pelos melhores jovens músicos de Setúbal será criado nos próximos três anos.
O conceito que está na sua génese é verdadeiramente inclusivo: esta pequena “orquestra”, espelhando o que acontece no Festival, vai refletir a realidade da atividade musical da comunidade local e, por isso, incluir na sua formação os percussionistas de tradição africana / latino-americana (20 por cento da população, originária de ex-colónias portuguesas), os instrumentistas clássicos, os músicos de jazz e os jovens com deficiência, que estão agora a aprender a tocar música com recurso a tecnologia de apoio.
Importante, também, é o facto de o Ensemble Juvenil de Setúbal proporcionar trabalho regular a compositores, tal como as orquestras sempre fizeram, uma vez que será necessário compor um reportório com obras especialmente criadas ou arranjadas para este formato único de democracia musical.

O Ensemble Juvenil de Setúbal será desenvolvido sob direção do Festival de Música de Setúbal e conduzido por três líderes (ou orientadores), especialistas em diferentes géneros musicais: Pedro Carneiro, Pedro Condinho e Fernando Molina. Pedro Carneiro é fundador e maestro da recentemente formada e bem-sucedida Orquestra de Câmara Portuguesa, além de um percussionista mundialmente aclamado – os músicos da Orquestra de Câmara Portuguesa, que dirige, proporcionarão apoio especializado a este projeto; Pedro Condinho é um professor de música que tem inspirado, ao longo de vários anos, crianças e jovens com necessidades educativas especiais e é também músico profissional da área do jazz; Fernando Molina trabalha internacionalmente como percussionista na área da world music e desenvolve atividade regular em Portugal, onde leciona e dirige diversos workshops e projetos na área das percussões. Estes três músicos vão trabalhar com o novo Ensemble Juvenil em ensaios semanais e preparar apresentações públicas ao longo do ano, inclusive durante o Festival. Cerca de 30 dos mais talentosos jovens músicos da região serão selecionados até ao verão de 2014: três programas de concerto serão desenvolvidos no primeiro ano de apresentações (até o verão de 2015), aumentando para seis programas no ano seguinte, cada um realizado em Setúbal e repetido fora da cidade.

"Este é um projeto único e inovador, mas a filosofia e a metodologia podem ser igualmente adotadas e adaptadas por comunidades locais em qualquer parte do mundo. Estamos orgulhosos de que Setúbal seja a casa da primeira ‘orquestra’ que realmente se liberta de barreiras culturais e sociais – as quais muitas vezes se interpõem entre pessoas de diferentes origens e entre músicas de diferentes géneros – na busca da qualidade artística, bem como da igualdade", salienta Ian Ritchie, diretor artístico do Festival de Música de Setúbal.


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