O enriquecimento intercultural resultante das migrações, com destaque para os intercâmbios ibéricos, inspira a sétima edição do Festival de Música de Setúbal, evento que decorre entre os dias 25 e 28.

“Sempre acreditámos que este festival era mais do que um grande concerto, mais do que um grande espetáculo. Sempre acreditámos que era um festival aberto a todos e que dura muito para lá dos três dias do programa”, afirmou ontem, na apresentação do certame, na Casa d’Avenida, o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Setúbal.

Pedro Pina destacava a vertente inclusiva do Festival de Música de Setúbal, que mantém o objetivo de proporcionar grandes concertos de música através de um envolvimento harmonioso com toda a população do concelho.

Desde a primeira edição, em 2011, que o Festival de Música de Setúbal promove espetáculos com a participação de artistas de renome internacional, que trabalham e atuam em parceria com alunos, pessoas com deficiência ou indivíduos representativos de diferentes comunidades que constituem o concelho.

Num ano em que o festival é dedicado aos fluxos migratórios e os enriquecimentos culturais daí resultantes, o autarca sublinha que “provavelmente não haveria tema mais atual do que este e, no que toca a Setúbal, esta sempre foi uma cidade de partidas e de chegadas”.

O certame é organizado pela A7M – Associação Festival de Música de Setúbal, contando com financiamento da Câmara Municipal, da Donatella Flick LSO Conducting Competition e da Fundação Helen Hamlyn, e apoios da Antena 1 da Antena 2.

O diretor artístico do certame, Ian Ritchie, salientou, na apresentação, que o programa deste ano “é complexo e entusiasmante”.

Para o britânico, que esteve vários anos à frente do Festival de Música de Londres e conduz os percursos culturais do evento sadino desde a primeira edição, “é sempre importante celebrar os tesouros da migração, fator marcante na história portuguesa, da própria Península Ibérica, mas também de todo o mundo”.

Da complexidade e qualidade propostas nos espetáculos do Festival de Música de Setúbal, Ian Ritchie destacou alguns aspetos do programa de 2017, sob o tema “Migração”.

O diretor artístico sublinhou a participação de músicos, compositores e maestros migrantes, como Kerem Hasan e Dejan Ivanovich, assim como da Grand Union Orchestra, constituída por músicos de vários pontos do planeta.

Realçou, ainda, outros pormenores que enriquecem o programa geral do certame, caso “do violino, da guitarra e da voz, que são os instrumentos mais em destaque ao longo do festival porque também são os instrumentos mais usados para fazer música pelos migrantes”.

“Mas a forma mais eficaz de se fazer um festival especial como este é pôr os mais novos a criar música. Isso vai acontecer com nove compositores jovens, a quem o festival encomendou obras. Mas também vai acontecer através de 250 crianças que criaram músicas com base no tema ‘Migração’ do evento”, sublinhou.

A apresentação do Festival de Música de Setúbal realizada ontem na Casa d’Avenida contou com apontamentos musicais protagonizados por duas jovens do concelho. Beatriz de Oliveira interpretou composições para guitarra escritas por Inês Lopes.

Após a apresentação, foram inauguradas as exposições, patentes na Casa d’Avenida ao longo do Festival de Música, “Lanzarote – A Janela de Saramago”, do fotógrafo João Francisco Vilhena, e “Daqui para Ali”, mostra de pintura por Graça Pinto Bastos e Maria João Frade.