O Festival de Música de Setúbal é um fenómeno cultural único, agora na sua 9ª edição, e continua a reunir artistas convidados internacionalmente aclamados, de Portugal e do estrangeiro, com a comunidade local – envolvendo mais uma vez mais de 1500 jovens – a fazer música e a enriquecer a vida cultural desta linda cidade.

Como sempre, o programa do nosso festival foi inspirado e alimentado por temas actuais e próximos do coração da população de Setúbal. A ideia central de home do ano passado, para a qual há inúmeros significados em português (lugares, lar, em casa, raízes e origens), esteve presente durante o Festival de 2018 e continua a encontrar ecos no mundo de hoje. Portanto, escolhemos voltar de novo a esse tema abrangente que é home.

Abrimos com a maravilhosa cantora, Beatriz Nunes e o seu quarteto de jazz, seguido no dia seguinte pelo reputado maestro, Paulo Lourenço, com o Coro de Câmara da Escola Superior de Música de Lisboa: como todos os nossos artistas convidados, vêm partilhar as suas competências e o palco com os jovens locais de Setúbal. Damos de novo as boas-vindas à Orquestra Sinfónica Portuguesa num programa centrado em Gustav Mahler, juntamente com jovens instrumentistas da região de Setúbal e dirigidos pela maestrina Joana Carneiro. André Gaio Pereira, vencedor do Prémio Jovens Músicos 2017, estará presente em dois concertos, primeiro como violinista a solo e depois dirigindo a Camerata do Festival, que reúne em Portugal, pelo menos uma vez por ano, alguns dos mais talentosos jovens músicos profissionais oriundos de Setúbal, para tocar juntos, deliciar-nos e inspirar as futuras gerações a seguir os seus passos.

O nosso socialmente inclusivo e artisticamente aventureiro Ensemble Juvenil de Setúbal, no seu quinto ano de existência ininterrupta, junta-se a vários músicos do Reino Unido, incluindo o notável trompetista Clarence Adoo, paralisado num acidente de viação há mais de 20 anos, o trombonista John Kenny (juntamente com o seu carnyx – um antigo instrumento Celta), o trompetista Torbjörn Hultmark e a cantora e compositora Merit Ariane, todos voltando a casa como artistas em residência e espalhando a sua magia artística por toda a comunidade.

A aprendizagem criativa e a participação dos nossos jovens foram sempre um objetivo fundamental do Festival, e todos os anos se têm envolvido nos projectos de percussão e de escrita de canções, entre outras atividades. Este ano, alguns dos nossos jovens visitam casas de repouso para idosos numa troca intergeracional de reminiscências, contar de histórias e partilha de ideias e memórias: as suas novas canções, criadas através deste processo colaborativo e apresentadas durante o Festival, reflectem o bater do coração da humanidade e o conforto do lar aquecido por uma lareira nas nossas Casas.

Após o incontornável sucesso do primeiro, em 2018, temos muito orgulho em apresentar o nosso segundo Simpósio Internacional de Música, Saúde e Bem-Estar, alargado agora a dois dias de apresentações públicas dos principais especialistas e profissionais de Portugal, Grã-Bretanha e de outros países. O assunto é extenso, diversificado e abrange todas as áreas da existência humana: é de importância global e toca-nos a todos. Os nossos temas vão desde a música nas maternidades dos hospitais até às instituições de repouso para idosos e incluem projectos musicais que envolvem os sem-abrigo, integram os refugiados e aqueles que nos requerem asilo e demonstram o enorme poder da música na melhoria da vida de pessoas com deficiências físicas, problemas de saúde mental e muitas outras necessidades. A necessidade de discutir estas áreas emergiu directamente do Festival e por essa razão está o Simpósio totalmente integrado no programa actual.

Temos uma enorme dívida de gratidão pela iniciativa e apoio do Helen Hamlyn Trust, pelo apoio do Município de Setúbal e dos muitos parceiros locais, instituições e indivíduos, cujas contribuições financeiras, tempo, esforço e empenho fazem com que tudo aconteça.

Os visitantes do Festival poderão desfrutar de apresentações nalguns dos mais belos e históricos edifícios e espaços públicos de Setúbal. Convida-mo-lo a experimentar a personalidade única desta cidade e a sentir-se em casa na diversidade acolhedora das suas ofertas artísticas.


Ian Ritchie nasceu na cidade de Londres em 1953, iniciou os seus estudos na Royal College of Music em 1971 (vencendo o Prémio Mario Grisi para cantores), estudou coro e foi aluno em direito e música no Trinity College, Cambridge, e continuou na Guildhall School of Music & Drama. Tem uma carreira musical e como curador com mais de 40 anos, dirigiu várias organizações artísticas de destaque, incluindo a City of London Sinfonia, a Orquestra de Câmara Escocesa, a Opera North, o Festival St Magnus (Orkney) e o Festival City of London.

Como programador multidisciplinar, centrado na música, Ian está comprometido com a excelência e inclusão social nos seus festivais, proporcionando oportunidades a músicos de todas as proveniências para criar e apresentar. Ao longo dos últimos 20 anos, prestou apoio regular como facilitador artístico na Bósnia-Herzegovina e em outros ambientes pós-conflito. Está envolvido em várias organizações musicais como gestor ou conselheiro, e recentemente ajudou a criar a Music Action International, que trabalha criativamente com refugiados e requerentes de asilo, ganhou o título de ‘Charity of the Year’ nos The Guardian Charity Awards 2016.

Ian é Director Artístico do Festival de Música de Setúbal (Portugal) desde o seu início em 2010-11 e tem posições semelhantes no Ensemble Juvenil de Setúbal e no The Musical Brain (Artes, Ciência e a Mente). É solicitado enquanto orador, actua enquanto cantor e narrador, avalia competições, é um mentor para novos músicos, ensinando programação artística e apoiando em várias universidades e faculdades no desenvolvimento de carreira e gestão criativa.